Ocupa dos Povos na Marcha da Vila Autódromo

MARCHA DA VILA AUTÓDROMO – 20/06/2012

A Ocupa dos Povos participou da marcha contra as remoções na Vila Autódromo, em companhia de diversos outros grupos e movimentos sociais. Trinta ativistas lotaram um micro-ônibus obtido junto da Justiça Global, e levaram a irreverência e as pautas do movimento ao ato. O foco adotado foi a questão do morador em situação de rua, uma figura radical de resistência na metrópole. Com muitos cartazes, faixas e papelão (o ícone do rueiro), a Ocupa dos Povos conseguiu evitar que essa marcha não passasse de mais um ato dentro dos moldes tradicionais, inteiramente previsíveis, de como funcionam os movimentos ditos de esquerda na realidade brasileira.


PORQUE PARTICIPAMOS

Em tempos de grandes eventos como a RIO + 20, a Copa do Mundo e as Olimpíadas,aumenta muito a remoção compulsória dos moradores em situação de rua. Fala-se muito no poder do crime, mas quem fala do crime do poder? Por um lado, esses megaeventos trazem lucros enormes para uma pequena fração de empresários e privilegiados. Por outro lado, a remoção, a violência, a negação sistemática dos direitos aos pobres. Os moradores de rua têm sido recolhidos a abrigos públicos, afastados das áreas centrais e nobres da cidade. A remoção faz parte de um projeto de higienização da paisagem, para construir a imagem de um Rio de Janeiro para ricos, um Rio de Janeiro então vendido e consumido como valor imobiliário e mercadoria turística. O que não se comenta é que, além de ser conduzidos contra a sua vontade, frequentemente com a cumplicidade de assistentes sociais e psicólogos, esses cidadãos removidos têm seus direitos negados como um todo, tratados como objetos à inteira disposição da ordem policial. Seus documentos e pertences são subtraídos, extraviados ou simplesmente atirados ao lixo. Nesse contexto, “morar na rua” não é somente falta de opção, mas uma afirmação de indignação ante a situação de desigualdade, exploração, descaso, criminalização e violência policial. O morador de rua é um resistente radical, é a expressão mais política da vivência das ruas, da metrópole viva que pretendem violentar e desapossar, da metrópole viva em que acreditamos e pela qual lutamos. (Texto coletivo da Ocupa dos Povos)